quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

HISTÓRIA DE MATUTINA

A região onde hoje se localiza Matutina, conhecida também em tempos antigos como Mata da Corda, surgiu das expedições do século XVIII que visavam à extração aurífera por todo o estado de Minas Gerais. Com a abertura de novos caminhos, a ocupação foi acontecendo gradativamente, através da formação de paragem de tropas, pernoite e abastecimento dos tropeiros e seus animais.
A origem da ocupação da região está associada às transformações advindas da busca pelo ouro em Minas Gerais no final do século XVII e início do século XVIII. Entretanto, isso não significa dizer que as fazendas foram criadas para qualquer tipo de exploração mineral, sendo muito provável que as atividades agro-pastoris fossem as maiores motivadoras da formação desses centros de produção voltados, sobretudo, para o abastecimento de centros de exploração mineral das Comarcas mais próximas.
Os habitantes de Matutina consideram em sua história tradicional que, em meados do século XIX, a família Pimenta se estabeleceu no local onde foi erigido mais tarde, o povoado de Pimentas. Vários irmãos da tal família formaram fazendas no local, onde passaram a viver da agricultura. Alguns nomes dentro desta família se destacam de forma espetacular dentro da história de Matutina, como: João Pimenta, Sebastião Pimenta, Serafim Pimenta e Pedro Pimenta. Especialmente, João Pimenta teve uma participação importante dentro da história da formação de Matutina, pois foi ele o grande mentor da idéia de se erguer um cruzeiro (feito em madeira de bálsamo nativo) eqüidistante de seus irmãos.
A ocupação da região foi, então, aumentando, sempre em torno desse cruzeiro, local que, posteriormente, abrigou o prédio do cinema da cidade. Mais tarde, no mesmo local, João Pimenta e José Martins fizeram uma doação a Nossa Senhora da Abadia de uma gleba de terra, junto ao cruzeiro, para a construção da primeira capela, em torno da qual foram surgindo as primeiras moradias, e, dessa forma, Matutina foi sendo construída. (IBGE, Enciclopédia dos MunicípiosMinas Gerais).
Com o levantamento da “cruz”, foram doados cincolitros de terreno” a Nossa Senhora da Abadia, por Pedro Pimenta. Segundo dizem, este teria uma devoção forte à Santa. Porém, por iniciativa dos primeiros moradores, foram adquiridos mais quinze “litros” de terreno, sendo o preço de cadalitro” a dois mil réis, de forma que a Paróquia de Nossa Senhora da Abadia pudesse contar com uma área de vinte litros de terreno. Neste período, a atividade econômica girava em torno da produção de coco. Até então, Matutina pertencia ao município de São Gotardo.
no século XX, com o desenvolvimento das fazendas e a presença do povoado que ali surgia, denominado dos “Pimentas”, viu-se a necessidade de emancipação do município. Com o decreto-lei de nº 1058, de 31 de dezembro de 1943, criou-se o distrito de Matutina, desmembrado dos distritos de São Gotardo e de Funchal, com sede no povoado de Pimentas que, pelo mesmo decreto, passou a denominar-se Matutina.
A denominaçãoMatutina” foi dada em homenagem ao Coronel Olimpio Alves Franco, ou por sua vontade, dono de uma propriedade rural, fundada pelo fazendeiro Antônio Alves de Oliveira Franco, fazenda esta de nome Matutina, situada nas proximidades da região. “O topônimo Matutina originou-se da fazenda da Matutina, outrora fundada pelo abastado fazendeiro Antônio Alves de Oliveira Franco e situada a poucos quilômetros da cidade, sendo uma homenagem ao Sr. Olimpio Alves Franco, então residente na dita Fazenda e membro da tradicional família Franco da região.” (FERREIRA, s.n.t.: 33). A população atual de Matutina descende, em grande parte, da família Pimenta, mais tarde entrelaçada com a família Franco, descendente de Antônio Alves de Oliveira Franco.
Em 12 de dezembro de 1953, a lei nº 1039 criou o município de Matutina, desmembrado de São Gotardo, contendo apenas o distrito da cidade. A atual Igreja Matriz, planejada em 1914, foi concluída apenas em 1951, data de sua inauguração. (BARBOSA, 1995: 201) A instalação do município ocorreu em 1º de janeiro de 1954.
Distante da capital mineira 306 km, Matutina está localizada na Bacia do Rio São Francisco, tendo como principais rios em sua coleção hídrica o Rio Borrachudo e o Abaeté. As principais vias de acesso são a BR-262, a BR-354 e a MG-235. Atualmente, Matutina conta com uma população de 3.888 habitantes instalados em 259.01 Km2 de área de limite municipal, tendo como municípios limítrofes São Gotardo, Tiros, Rio Paranaíba e Arapuá.

ASPECTOS NATURAIS

Inserido na bacia do Rio São Francisco, o município de Matutina conta com uma coleção hídrica considerável, sendo os principais rios o Borrachudo e o Abaeté.
A altitude máxima está na Serra de Água Limpa, com 1.149 metros. A morfologia do relevo é considerada, segundo dados do IBGE, como: 5% plano, 50% ondulado e 45% montanhoso. A formação do relevo favorece, indiscutivelmente, a aptidão agrícola do município, dispensando maquinários pesados, havendo formações de campos naturais que servem de áreas de pastoreio.
A formação pedológica aponta para uma presença de Latossolos Vermelho Escuros como solo predominante na região. Apresentam horizontes bastante homogêneos, com uma coloração avermelhada, devido ao elevado teor de óxidos de ferro. Este solo tem origem do Gandarela e seu material de origem é o calcário, com aproximadamente 1,5 bilhões de anos.
A porosidade deste solo é elevada, resultando na facilidade de infiltração da água. Isto valoriza monetariamente as terras da região, pois, mesmo com o uso intensivo do solo, a infiltração não possibilita o desenvolvimento de grandes erosões na região e proporciona uma maior resistência ao impacto das gotas de chuva, diminuindo assim a erosão inicial.
A temperatura média é de 20ºC, sendo a máxima registrada de 29ºC e a mínima de 12ºC. Segundo a EMATER, os dados dos últimos dez anos mostram que os meses de maior índice pluviométrico são os de janeiro, fevereiro e março, quando variam de 422, 372 e 257 mm/mês, respectivamente.
Os principais problemas ambientais na região estão ligados à agropecuária. São eles: ausência de proteção às nascentes e cumes de morros, desmatamento, pastagens degradadas pela pecuária intensiva e queimadas.

MANIFESTAÇÕES CULTURAIS

Matutina tem como atrativos turísticos as festividades, ocasiões de intensa sociabilidade local: o aniversário da instalação do município, a festa da padroeira Nossa Senhora da Abadia, a Semana Santa e a Mostra Agroindustrial, quando produtores da região encontram oportunidade de expor seus produtos e fechar negócios. Interessante citar que, na festa da Agroindústria conserva-se uma tradição de séculos que é o transporte por meio de carro de boi. Há um festival do carro de boi que acontece durante esse festejo.
Outra festividade de Matutina que merece destaque é a folia de Santos Reis, cuja culminância ocorre no dia 6 de janeiro, com preparativos a partir de meados de dezembro. A festa é realizada por grupos de cantores que passam pelas propriedades urbanas e rurais angariando esmolas para os cofres religiosos. O tipo de esmola é bastante diversificado. Doa-se desde um simples cafezinho aos festeiros, bois, leite e até mesmo galinhas. Tudo isso é transformado pelos foliões em banquete aberto no Dia de Reis, a todo o povo das imediações.

ACERVO ARQUITETÔNICO E URBANÍSTICO

A conformação urbanística de Matutina é relativamente recente do ponto de vista do planejamento, uma vez que o município tem sua origem de um povoamento do Século XIX, denominado “Pimentas”, que tem sua ocupação relacionada com a busca pelo ouro em Minas Gerais no final do século XVII e início do século XVIII. Portanto, são moradias que foram implantadas, em sua maioria, a partir da emancipação do município, em 1954, quando é implementado o traçado urbano tipotabuleiro de xadrez”.
A cidade de Matutina possui alguns Patrimônios histórico tombados por possuírem um estilo neoclássico e arrojado, destacando a Igreja Matriz de Nossa Senhora da Abadia. Possui também, em sua zona urbana, diversas residências que fazem parte dos bens arquitetônicos que constroem essa cidade.
 Além disso, em sua zona rural, Matutina possui sedes de Fazendas que preservadas auxiliam a manter a historia da cidade como: Fazenda do Sr. José Cândido Bueno, Fazenda Monteiro, Fazenda Abaeté de Cima e Fazenda Bebedouro e Ponte Funda.

BENS MÓVEIS E INTEGRADOS

No exercício de 2012 foram inventariadas estruturas arquitetônicas e urbanísticas na cidade de Matutina que inclui uma residência e varias fazenda, sendo elas: Fazenda Capoeira da Mandioca; Fazenda do Senhor José Candido Bueno; Fazenda Monteiro; Fazenda Abaeté de Cima; Fazenda Bebedouro e Ponte Funda.
Além dessas estruturas arquitetônicas e urbanísticas encontramos bens móveis e integrados também inventariados no mesmo ano, como instrumentos de Ferraria, Ferraria do Senhor Antônio Rodrigues; Ferro de passar roupa, Residência de Maria Rosa de Jesus; e um Relógio, Fazenda Bebedouro e Ponte Funda.

ARQUIVOS

Sem registros de bens arquivísticos no município.

PATRIMÔNIO ARQUEOLÓGICO

Sem registros de patrimônio arqueológico no município.

SÍTIOS NATURAIS

Sem registros de sítios naturais no município no presente relatório.

INFORMAÇÕES COMPLEMENTARES

A conformação urbanística de Matutina é relativamente recente do ponto de vista do planejamento, uma vez que o município tem sua origem de um povoamento do Século XIX, denominado “Pimentas”, que tem sua ocupação relacionada com a busca pelo ouro em Minas Gerais no final do século XVII e início do século XVIII. Portanto, são moradias que foram implantadas, em sua maioria, a partir da emancipação do município, em 1954, quando é implementado o traçado urbano tipotabuleiro de xadrez”.
Até o presente momento, o cronograma de inventário tem sido seguido no seu planejamento original aprovado pelo IEPHA, que de 2007 a 2009 prevê a realização de três etapas: uma primeira etapa que diz respeito da investigação da definição de setores e investigação das categorias de patrimônios existentes; uma segunda que consiste na sistematização do registro e proteção do patrimônio cultural do município, referente ao reconhecimento da Área I/Setor A (Zona Urbana, Distrito Sede); e, uma terceira que complementa a Área I/Setor A e Setor B (Zona Urbana, Distrito de Abaeté de Baixo). Ainda de acordo com o cronograma, o Setor B terá sua finalização em 2011.

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